História
História
Sabe-se que por esta região passaram Celtas, Suevos e Romanos. Um intrincado de histórias que complica o apuramento exato das origens da CasaNova, mas é possível recuperar algum contexto a partir do século XI.
Na tentativa de expulsar os mouros da Península Ibérica, Afonso VI, o Bravo, rei de Leão e Castela e Galiza (1047-1109), recebeu o apoio de vários aliados, nomeadamente de D. Henrique de Borgonha e do seu primo, D. Raimundo de Borgonha, nobres franceses. Como recompensa, ambos casaram, como se sabe, com filhas ilegítimas de D. Afonso VI: o primeiro com D. Teresa, recebendo como dote o Condado Portucalense, o segundo com D. Urraca, a quem foi dado o Condado da Galiza.
Toca-nos a história de D. Henrique e D. Teresa, já que esta doou grande quantidade de terras aos monges da Ordem de Cluny, que ali vieram a fundar uma nova Ordem Beneditina num território de cerca de 700 hectares e que seria designado Couto de Tibães. Quem nessas terras vivesse estava isento de impostos reais, pagando, em vez disso, aos monges (os chamados foros e censos, taxas anuais pagas em dinheiro ou bens), o que lhes permitiu acumular grande riqueza, que se traduziria, por exemplo, em construções vistosas, assim como na promoção da arte. Não é por acaso que o Mosteiro de S. Martinho de Tibães é hoje Monumento Nacional.
Ora, a casa agrícola minhota Caza Nova estava geograficamente inserida nesse Couto de Tibães, tendo contribuído com a sua parte para a Ordem Beneditina. Não é claro em que momento é que as terras deixaram de ser propriedade dos monges e passaram a pertencer à família que as habitava e trabalhava, mas tudo indica que terá sido na sequência da extinção das ordens religiosas decretada em maio de 1834 por Joaquim António de Aguiar, sob o governo liberal de D. Pedro IV.
Data de 24 de junho de 1653 o documento mais antigo de que dispomos sobre a família original desta casa, o registo de batismo de Sebastião, filho de António Giz e Maria Gonçalves, e do qual foram padrinhos Sebastião e Margarida Giz, da Caza Nova. Daí para a frente está documentada a linhagem: Sebastião casou-se com Francisca Gonçalves e foram pais de Custódia Ferreiro Gomes, nascida em 1722. Várias gerações depois, nasceria, em 1943, Luís Gonzaga Azevedo Soares Coelho, pai do atual proprietário da CasaNova.
O Projeto
Ao longo das últimas décadas, a CasaNova esteve desabitada durante 17 anos, o que deixou as suas marcas tanto nos edifícios como no espigueiro. O projeto de recuperação era simples: preservar o que já existia e criar um espaço de bem-estar para todos os que ali entrassem. Que o conforto se sentisse em cada canto, que a luz atravessasse os espaços e que os aromas da lenha e da terra acompanhassem cada momento vivido na casa eram objetivos primordiais, tal como ter lugares para estar, perguntar, aprender, rir e estar em silêncio.
O grande desafio do projeto era afinal apenas um: não estragar. Que cada elemento novo se integrasse no antigo, mantendo a sua própria identidade, e que o antigo pudesse continuar a existir de forma simples, na sua verdade. E estamos certos de que este edifício continua e continuará, mesmo quando nós, que o reconstruímos e lhe devolvemos a vida, já não estivermos cá.
A CasaNova renova-se e continua, contando para isso com a vivência que cada novo hóspede lhe traz. Um cruzamento de histórias e memórias que construirá o futuro desta propriedade hospitaleira.


























